Trocar a caixa de fusível por disjuntores significa substituir um sistema que queima e precisa ser reposto por um que desarma e pode ser rearmado, com a vantagem de que o quadro novo pode receber DR e DPS. É um serviço de eletricista, porque mexe no ponto de entrada da energia da casa, e termina, quando bem feito, com identificação dos circuitos e laudo.
Quais fusíveis ainda aparecem em casas antigas
Em construções antigas, o quadro costuma ter um destes dois tipos:
- Fusível de rolha (rosca): peça de porcelana com rosca, parecida com uma tampa de garrafa, com um fio fino interno que derrete quando a corrente passa do limite.
- Fusível de cartucho: cilindro com tampas metálicas, encaixado em uma base com garras.
Nos dois casos, quando o fusível queima, é preciso comprar outro igual. É aí que mora o perigo: quem tem pressa coloca um fusível maior ou até um fio de cobre no lugar. O cabo passa a trabalhar acima do que aguenta e esquenta dentro da parede.
Fusível × disjuntor × DR
| Característica | Fusível | Disjuntor termomagnético | DR (diferencial residual) |
|---|---|---|---|
| O que protege | Contra sobrecarga e curto | Contra sobrecarga e curto | Contra choque e fuga de corrente |
| Depois de atuar | Precisa trocar a peça | Rearma na alavanca | Rearma pela alavanca |
| Pode ser rearmado? | Não | Sim | Sim |
| Risco de improviso | Alto (fio, fusível maior) | Menor, mas há quem coloque um disjuntor maior | Baixo |
| Protege a pessoa de choque? | Não | Não | Sim, quando é de alta sensibilidade (30 mA) |
| Identificação do circuito | Costuma não existir | Etiqueta por circuito | Etiqueta por grupo de circuitos |
Um ponto que muita gente confunde: o disjuntor comum protege a fiação, não protege a pessoa. Quem protege a pessoa contra choque é o DR. Por isso a modernização do quadro costuma incluir os dois.
O que muda quando o quadro é modernizado
Na prática, o eletricista faz mais do que trocar peça por peça:
- Inspeciona a entrada de energia, o medidor, a bitola dos cabos e o estado das emendas.
- Define o disjuntor geral compatível com a carga e a entrada.
- Divide a casa em circuitos: iluminação, tomadas de uso geral, tomadas de cozinha e área de serviço, chuveiro, ar-condicionado.
- Instala o novo quadro de distribuição, com barramento, trilho DIN e espaço de reserva para novos circuitos.
- Liga cada circuito ao disjuntor de corrente adequada à bitola do cabo.
- Instala o DR e o DPS, quando a instalação permite.
- Identifica cada circuito com etiqueta e testa tudo no fim.
- Entrega um laudo ou relatório do que foi feito.
Alguns desses passos dependem do aterramento da casa. Se não existe fio terra, o eletricista explica o que é possível fazer e o que precisa de obra adicional.
Lista de materiais de uma modernização típica
- Quadro de distribuição (embutir ou sobrepor), com espaço de reserva.
- Disjuntor geral e disjuntores por circuito, de corrente e curva adequadas.
- DR de 30 mA, em um ou mais pontos.
- DPS, para proteger contra surtos.
- Barramentos (fase, neutro e terra) e terminais.
- Cabos novos nos trechos em que a fiação antiga não serve.
- Etiquetas de identificação e fita ou abraçadeiras de organização.
Faixa de preço da troca completa
| Item | Faixa aproximada |
|---|---|
| Mão de obra da troca do quadro (casa pequena) | R$ 600 a R$ 1.800 |
| Materiais do quadro (quadro, disjuntores, DR, DPS) | R$ 500 a R$ 1.500 |
| Troca de trechos de fiação | Varia com a metragem e o acesso |
| Visita técnica para diagnóstico | Costuma ser abatida do serviço fechado, mas isso depende do profissional |
Esses números são médias de referência: variam por cidade, pelo tamanho da casa, pela quantidade de circuitos e pelo estado da fiação antiga. Casas com fiação de alumínio ou muito deterioradas podem custar bem mais, porque o serviço cresce.
Sinais de que o quadro de fusíveis já passou da hora
- Fusível que queima com frequência, sem aparelho novo na casa.
- Base do fusível escurecida, com porcelana trincada ou cheiro de queimado.
- Quadro com marcas escuras ou barulho de estalo.
- Fusível trocado por fio de cobre ou por modelo de corrente maior do que o original.
- Chuveiro, ar-condicionado ou forno elétrico ligados em circuito antigo, que não foi pensado para essa carga.
- Casa sem DR, com choques leves ao tocar em torneira, geladeira ou carcaça de aparelho.
O que acontece com o laudo e a documentação
Ao fim da modernização, o eletricista deve deixar algo por escrito: o que foi trocado, quais circuitos existem, a corrente de cada disjuntor e o que ainda precisa de obra, como o aterramento. Guarde esse registro junto com os documentos da casa. Ele ajuda numa futura reforma, na venda do imóvel e em eventual pedido de ligação de carga nova, como um ar-condicionado.
Dá para fazer a troca aos poucos?
Em alguns casos sim: o eletricista troca primeiro o quadro e os circuitos de maior risco, como chuveiro e cozinha, e deixa o restante para uma segunda etapa. O que não se recomenda é misturar fusíveis e disjuntores no mesmo quadro por muito tempo, porque a proteção fica irregular e fica difícil saber qual circuito está protegido por quê. Combine as etapas e o prazo por escrito.
Quando chamar um técnico
Quem tem fusível em casa deve chamar eletricista para avaliar o quadro, mesmo sem problema aparente. O serviço de modernização é completo e inclui a inspeção da entrada, dos cabos e do aterramento, e termina com laudo.
Na visita, pergunte:
- qual será o disjuntor geral e por quê;
- quantos circuitos o quadro novo terá e como serão divididos;
- se o DR e o DPS estão no orçamento;
- se a fiação existente será reaproveitada e em que trechos;
- se há necessidade de comunicar a distribuidora de energia;
- se o laudo e as etiquetas estão incluídos.
Até o eletricista chegar, não troque fusível por peça maior nem coloque fio no lugar. Se o fusível queimou, desligue os aparelhos mais pesados do circuito antes de pedir ajuda. E qualquer cheiro de queimado no quadro é motivo para pedir atendimento no mesmo dia.