Quando o disjuntor do chuveiro desarma exatamente na hora em que você fecha o registro, as causas costumam ser três: a resistência partida ou encostando na carcaça, o contato do diafragma fazendo faísca ou um DR sensível a uma fuga pequena. O momento do desarme é a pista: no fim do banho a água para, o diafragma solta os contatos e a corrente é interrompida de uma vez.

O que acontece dentro do chuveiro ao fechar o registro

O chuveiro elétrico tem uma câmara com a resistência, que esquenta a água, e uma peça de borracha chamada diafragma. Quando a água corre, a pressão empurra o diafragma, que fecha o contato elétrico e liga a resistência. Quando o registro fecha, a pressão cai, o diafragma volta e o contato abre.

Nesse instante há duas coisas em jogo:

  1. A corrente é cortada com o contato carregado. Se o contato estiver oxidado ou desgastado, a abertura gera um pequeno arco, uma faísca interna que, com o contato carbonizado, pode virar um curto momentâneo ou uma fuga.
  2. A resistência está aquecida e a água já parou. Se ela estiver encostando na carcaça ou rachada, a eletricidade escapa para a água restante ou para o corpo do chuveiro.

Os dois problemas se escondem enquanto a água corre e aparecem quando o fluxo para.

As três causas

Resistência partida ou encostando na carcaça

A resistência é uma espiral de fio. Com o tempo, ela se alonga, parte ou toca a parede da câmara. No instante em que a água para, a fuga para a carcaça fica evidente e a proteção atua. Nesse caso é comum o chuveiro esquentar de modo irregular ou ter esquentado menos nos dias anteriores.

Contato do diafragma com arco

O contato do diafragma é de metal. Com o uso, ele escurece, perde material e abre com faísca. O estalo costuma ser audível quando o registro fecha. O desarme aparece no momento do corte e pode ser seguido de um cheiro leve de queimado perto do chuveiro.

DR atuando por fuga pequena

Se o disjuntor do chuveiro é um DR, ele desarma com uma fuga pequena de corrente para a terra. Uma umidade dentro do chuveiro, após o banho, pode causar essa fuga mínima. O DR faz o que foi feito para fazer: desligar diante de qualquer corrente escapando. Mas um desarme constante deve ser investigado, porque a fuga é real.

Como diferenciar uma causa da outra

O teste é por observação e por inspeção com o disjuntor desligado. Nada de medir tensão ou mexer em fio energizado.

O que você observa Aponta para
Há estalo ou faísca audível ao fechar o registro Contato do diafragma
O chuveiro vinha esquentando mal ou de modo irregular Resistência desgastada
A resistência está com ponto escuro, partida ou encostando na parede Resistência
O disjuntor tem botão T de teste e é ele que desarma DR atuando por fuga
O disjuntor é comum, sem botão T Curto momentâneo: contato ou resistência
O desarme só acontece em dias de chuva ou umidade alta Fuga pequena: DR ou umidade na ligação

Passo a passo da inspeção

Esta inspeção mexe nos fios do chuveiro, então siga a ordem com cuidado. O ideal é que a troca de peças seja feita por eletricista, mas a inspeção visual pode ser feita assim:

  1. Abaixe o disjuntor do chuveiro. O chuveiro deve ficar sem funcionamento.
  2. Feche o registro e deixe o chuveiro esfriar.
  3. Solte a tampa ou o corpo do chuveiro conforme o modelo, sem puxar os fios.
  4. Olhe a resistência: ela deve estar inteira, sem pontos escuros ou derretidos e sem tocar a carcaça.
  5. Olhe o contato do diafragma, se for acessível: cor escura ou marcas de queimado indicam desgaste.
  6. Monte tudo de novo e, se trocou a resistência, use uma da mesma potência e da mesma tensão (127 ou 220 V) do chuveiro.
  7. Antes de religar o disjuntor, abra o registro e deixe a água correr até sair sem ar. Só então religue o disjuntor.

Essa ordem é obrigatória: o chuveiro nunca deve ser energizado sem água dentro. Se algum fio estiver com a capa ressecada, a ligação estiver escurecida ou você não tiver certeza do que está vendo, pare e chame o eletricista.

Resultado do teste

Se você trocou a resistência e o desarme sumiu, a causa era a resistência. Se o desarme continuar, o problema está no diafragma, no fio ou no DR.

O que não fazer

  • Não substitua o disjuntor por um maior para o desarme parar. O disjuntor protege o fio, e o fio tem limite.
  • Não use o chuveiro com o disjuntor "preso" ou com a alavanca forçada.
  • Não troque a resistência com o disjuntor ligado.
  • Não puxe os fios do chuveiro nem faça emendas com fita.
  • Não religue sem água correndo.

Sinais que antecedem o problema

Antes do desarme na hora de desligar, o chuveiro costuma dar avisos:

  • A água esquenta menos que antes ou oscila de temperatura durante o banho.
  • Há um estalo curto quando o registro abre ou fecha.
  • O chuveiro cheira a queimado ou a plástico quente no começo do banho.
  • A pressão da água varia, e o chuveiro liga e desliga sozinho em vazão baixa.
  • A resistência acumula crostas brancas de calcário, que mudam a troca de calor.

Quem percebe esses sinais cedo pode trocar a resistência antes de o disjuntor começar a cair, o que evita o desgaste do contato e poupa o DR de atuar por fuga.

Como escolher a resistência de reposição

Se a inspeção mostrar resistência partida, a peça nova precisa casar com o chuveiro. Leia na etiqueta do corpo do chuveiro a tensão (127 ou 220 V) e a potência em watts, e leve essas informações à loja, de preferência com a resistência velha na mão. Resistência de tensão errada queima na hora ou esquenta pouco, e uma de potência maior que a prevista sobrecarrega o fio e o disjuntor. Depois da troca, o primeiro banho serve de teste: observe se o chuveiro esquenta de modo regular e se o desarme voltou ao fechar o registro.

Quando chamar um eletricista

Se a troca da resistência não resolve, o eletricista verifica o DR e a isolação do circuito. Chame também se o fio que chega ao chuveiro estiver escurecido ou derretido, se o disjuntor desarmar com o chuveiro desligado, ou se a fuga voltar em dias de chuva. Na visita, peça que ele verifique a isolação do fio entre o quadro e o chuveiro, o estado do DR e se o disjuntor combina com a potência do chuveiro. Uma pergunta útil é: a fuga está no chuveiro ou no circuito? A resposta decide se vale trocar o aparelho ou refazer o trecho do fio.