Para trocar um interruptor antigo por um novo, o disjuntor do circuito fica desligado, os fios são identificados e fotografados, as pontas gastas são cortadas e refeitas e o módulo novo é ligado nos mesmos pontos. Esse é um serviço de eletricista, principalmente quando o fio é antigo, e entender as diferenças entre o padrão antigo e o novo ajuda a saber o que esperar.

Padrão antigo e padrão novo

Interruptor antigo. Costuma ter base de porcelana ou plástico escuro, parafusos de pressão de cabeça grande, que prendem o fio entre uma placa e a base, e um espelho preso por parafusos laterais. O fio é rígido, e a ponta fica enrolada em volta do parafuso. O cobre pode estar escurecido, oxidado e quebradiço por décadas de aquecimento e resfriamento.

Interruptor novo. Módulo de plástico claro, com bornes que aceitam o fio direto, seja por parafuso com garra, seja por engate rápido (mola). Acompanha um espelho que encaixa sem parafuso à vista. O módulo traz impressa a corrente máxima e o trecho de fio que deve ser descascado.

Característica Antigo Novo
Fixação do fio Parafuso de pressão, ponta enrolada Borne com garra ou engate rápido
Comprimento a descascar Variável, feito na hora Marcado na peça
Estado comum do fio Rígido, escurecido, ponta quebradiça Fio limpo, ponta nova
Tampa Espelho com parafusos laterais Espelho de encaixe
Corrente impressa Muitas vezes apagada Visível no módulo

O que o interruptor tem de ligação

No interruptor simples, de um só ponto, a caixa recebe dois fios: o que vem do quadro (fase) e o que vai à lâmpada (retorno). Os dois ligam nos dois bornes do módulo. Para ele, tanto faz qual vai em qual, mas o eletricista identifica cada um pela função para manter a fase como fio interrompido.

Com mais de um ponto de acionamento (paralelo), há três fios, e a ordem importa. Em caixa com tomada junto, o conjunto leva também o fio da tomada. Por isso a regra é fotografar tudo antes de soltar e marcar cada fio com fita, para voltar à posição correta.

O trabalho de refazer as pontas

Em interruptor antigo, a ponta do fio é onde mais há problemas:

  • Cobre escurecido ou esverdeado indica oxidação.
  • Fio que parte ao dobrar já perdeu flexibilidade e resistência mecânica.
  • Isolamento ressecado, trincado ou grudado no cobre mostra superaquecimento passado.

Quando a ponta está ruim, o profissional corta o trecho gasto com alicate, descasca o comprimento indicado no módulo novo (a peça traz a medida marcada), confere se o cobre está brilhante e inteiro, e só então insere no borne. O cobre não pode ficar exposto fora do borne, nem o isolamento entrar no borne, pois isso causa mau contato e aquecimento.

Como aproveitar fio curto

Depois de cortar a ponta gasta, o fio pode ficar curto para chegar ao módulo. Soluções corretas:

  • Conector de emenda adequado ao fio, com alavanca ou mola, dentro da caixa, usando um pedaço do mesmo fio e da mesma bitola.
  • Substituição do trecho até uma emenda mais acessível, quando o fio está comprometido em mais de um ponto.
  • Fita isolante sozinha não é emenda. Ela afrouxa com o calor e deixa o fio com mau contato.

A bitola costuma ser de 1,5 mm² em circuitos de iluminação, mas depende do projeto da casa. Emendar com um pedaço de fio mais fino que o original cria ponto quente.

O limite é o estado do fio: se ele está ressecado, quebradiço ou partindo, emenda não resolve, e a fiação inteira daquele trecho precisa de revisão.

Passos do eletricista na troca

  1. Desliga o disjuntor do circuito e confirma que a luz do ponto não acende.
  2. Remove o espelho e solta o módulo antigo da caixa.
  3. Fotografa e identifica cada fio.
  4. Solta os fios e examina cobre e isolamento.
  5. Refaz as pontas ou emenda o fio com conector adequado.
  6. Liga os fios no módulo novo, conforme a função de cada um.
  7. Fixa o módulo, coloca o espelho e religa o disjuntor.
  8. Testa o acionamento algumas vezes e confere se não há calor depois de um tempo de uso.

O que escolher na loja

  • Função: simples, paralelo (three-way) ou intermediário, conforme a ligação existente.
  • Corrente: módulos para iluminação costumam trazer 10 A impressos. Para carga acima disso, o eletricista indica outra peça.
  • Cor e linha do espelho: a placa tem que caber na caixa existente, 4x2 ou 4x4.
  • Tipo de borne: engate rápido ou parafuso. O parafuso aceita fio mais grosso, e o engate rápido exige fio em boas condições.

Leve o módulo antigo à loja, se for possível, para comparar o formato do suporte e da placa.

Sinais de problema na fiação

Se, com a caixa aberta, aparecer:

  • fio que quebra ao dobrar levemente;
  • isolamento amolecido, grudento ou queimado;
  • cobre escurecido ou esverdeado em vários centímetros;
  • caixa de embutir enegrecida;
  • cheiro de queimado;

pare e chame o eletricista. O interruptor é só a ponta de um fio que pode estar condenado em outros pontos.

Interruptor e tomada na mesma caixa

Em muitas casas, o interruptor divide a caixa com uma tomada, no conjunto de duas peças. Nesse caso, a caixa tem fios da luz e da tomada, e a tomada pode ser de circuito diferente. Antes de qualquer troca, é preciso saber qual disjuntor desliga cada peça. Desligar só o da luz pode deixar a tomada energizada na mesma caixa, e vice-versa. O eletricista desliga o geral ou confirma os dois circuitos antes de abrir.

Em caixas antigas, também é comum encontrar fios amarrados ou emendados dentro da caixa com fita isolante. Essas emendas precisam ser refeitas com conector adequado, pois a fita ressecada solta e o cobre se encosta.

Placa e acabamento

Ao trocar o módulo, a placa do espelho também muda. O módulo novo costuma exigir o suporte e o espelho da mesma linha. Se a caixa embutida está fora de nível ou com borda quebrada, o suporte novo não se firma bem, e o conjunto afrouxa com o uso. Vale ajustar a caixa e nivelar antes de fixar o espelho. Parede com massa corrida ou azulejo em volta pode precisar de retoque depois do serviço.

Quando chamar um eletricista

Em qualquer troca, o ideal é o eletricista, pois a tarefa envolve desligar o disjuntor certo e lidar com fio de instalação. Se o fio quebra ao dobrar ou está ressecado, a fiação precisa de revisão por um profissional, e não apenas de um interruptor novo.

Na visita, pergunte se o fio tem condições de continuar, se a emenda foi feita com conector adequado e na mesma bitola, qual a corrente do módulo escolhido e se os demais pontos do circuito mostram sinais parecidos. Peça que ele verifique se o disjuntor da luz combina com a bitola do fio daquele circuito.