Para saber se a bomba de combustível está com problema, gire a chave para a posição ligada, sem dar partida, em local silencioso, e ouça perto do tanque: o normal é um zumbido curto, por alguns segundos, que depois cessa. Silêncio ou ruído estranho aponta para a bomba, o fusível, o relé ou o comando, e a confirmação é com a oficina.
O que a bomba faz
A bomba elétrica dos carros com injeção costuma ficar dentro do tanque e envia combustível sob pressão até os bicos injetores. Sem pressão, o motor gira na partida e não pega. Em muitos carros, ao ligar a chave a central comanda a bomba por alguns segundos para pressurizar o sistema. É esse zumbido que você escuta no teste. O tempo e a intensidade variam por modelo, então o que importa é notar a diferença entre o que você ouve e o que costumava ouvir.
Teste do zumbido, passo a passo
- Estacione em local plano, desligue rádio, ar-condicionado e ventilador, e peça silêncio.
- Todos os passageiros ficam em silêncio e com as portas fechadas.
- Gire a chave (ou aperte o botão) para a posição ligada, sem acionar a partida. Em carros com botão, aperte sem pisar no freio, se isso evitar a partida.
- Preste atenção na região traseira, perto do tanque e sob o banco de trás, em geral. Se puder, peça a alguém para escutar do lado de fora, perto do tanque.
- Repita duas ou três vezes, desligando e ligando de novo.
Interpretação:
| O que você ouve | O que pode significar |
|---|---|
| Zumbido curto e regular, depois silêncio | A bomba recebe energia. A falha pode estar na pressão, no filtro ou em outro sistema |
| Nenhum som | Fusível, relé, interruptor de corte, fiação ou bomba |
| Zumbido alto, áspero ou irregular | Bomba desgastada ou com sujeira |
| Zumbido contínuo, sem parar | Possível falha no comando da bomba ou na central; a oficina avalia |
Se estiver sentindo cheiro forte de combustível durante o teste, pare e afaste-se: há vazamento, e a oficina precisa ver antes de qualquer partida.
Fusível e relé
Fusível
Com o carro desligado, localize a caixa de fusíveis (o manual indica) e identifique o fusível da bomba. Olhe o filamento: rompido ou escurecido indica queimado. Não troque por um de amperagem maior. Se o novo queimar de novo, há curto, e o caminho é a oficina.
Relé
O relé da bomba fica na caixa de fusíveis, e a posição varia por modelo. Quem testa o relé é o técnico. O que o dono do carro pode fazer é saber que existe e informar a falta de zumbido.
Interruptor de corte por impacto
Alguns modelos têm um interruptor que corta a bomba em caso de batida ou forte impacto. Quando o carro passou por pancada ou tombo, o manual mostra se existe e como rearmá-lo. Em muitos casos o procedimento é simples e está descrito; se o manual não trouxer, a oficina faz.
Bomba fraca ou bomba queimada
A diferença está no comportamento:
Bomba queimada: o carro não pega, sem zumbido, e fica assim. O motor gira na partida e não dá sinal de vida.
Bomba fraca: o carro pega, mas apresenta sintomas, como:
- perda de potência em subida ou com o carro carregado;
- engasgos em alta velocidade ou ao acelerar forte;
- demora para pegar, principalmente com o motor quente;
- ruído alto vindo do tanque;
- morrer em marcha lenta e voltar a pegar depois.
Esses sintomas pedem diagnóstico, porque filtro de combustível entupido, vela, bobina e sensores também geram sintomas parecidos. A oficina mede a pressão no sistema com manômetro e compara com o valor do fabricante, que varia por modelo.
Como achar o fusível e o relé do seu modelo
A posição do fusível e do relé da bomba varia por marca, modelo e ano. Há carros com uma caixa no painel, outros com a caixa no cofre do motor, e alguns com duas, com identificação em códigos ou símbolos. A tampa da caixa costuma trazer o diagrama, e o manual do proprietário traz a tabela completa. Procure pela legenda da bomba (muitas vezes como "bomba", "fuel pump" ou um símbolo de combustível). Cada posição tem a sua amperagem, impressa no próprio fusível, e a troca deve respeitar esse valor. Depois de achar, só olhe: fusível queimado se reconhece pelo filamento partido, e a reposição por um idêntico é simples quando o carro está desligado.
O que o tanque baixo faz com a bomba
A bomba trabalha mergulhada no combustível, que a refrigera e lubrifica. Rodar sempre com o tanque na reserva expõe a bomba a mais calor e a mais sujeira do fundo, e pode encurtar a vida dela. Um hábito simples é reabastecer quando o ponteiro chega a um quarto do tanque. Não é regra do fabricante, e sim uma prática que reduz o desgaste. Combustível de procedência duvidosa também sobrecarrega bomba e filtro.
Outras causas que parecem bomba
- Tanque vazio ou combustível ruim. Parece óbvio, mas o marcador pode falhar.
- Filtro de combustível entupido. Reduz a vazão e imita bomba fraca.
- Partida a frio de carro flex, que depende do sistema auxiliar de etanol em alguns modelos.
- Falha de ignição (vela, bobina, cabos).
- Sensor de rotação ou de fase, que impede a central de liberar a injeção.
- Bateria fraca, que gira o motor devagar demais para pegar.
Segurança: o que não fazer
Combustível é inflamável. Não solte mangueiras, não abra o tanque nem a linha de combustível, e não faça "ponte" para ligar a bomba. Não fume, não use chama e não acione o carro em local fechado com cheiro de gasolina. O trabalho com a bomba é da oficina, que despressuriza a linha antes de abrir qualquer conexão.
Quando chamar um técnico (e o guincho)
Chame o profissional quando:
- não há zumbido, o fusível está bom e o carro não pega;
- há zumbido, mas o carro gira e não pega, e o combustível está no tanque;
- você sente cheiro forte de gasolina;
- o carro apresenta falhas em subida, repetidas.
Bomba queimada deixa o carro parado: um guincho leva até a oficina para a troca, evitando insistir na partida, que só descarrega a bateria. Na oficina, peça que o mecânico informe a pressão medida, se o filtro foi trocado junto e se o fusível e o relé foram conferidos, e pergunte se a bomba nova vem com garantia de peça e de serviço.